É possível saber o nível de inglês de um candidato pelas entrelinhas do seu CV.

Henrique Gamba é Head Hunter, especialista em encontrar talentos para a área de TI. Fala fluentemente inglês, português e espanhol.

Por ter muitos anos de experiência no ramo, sabe como é difícil encontrar brasileiros que preencham todos os requisitos de um vaga. Encontrar candidatos que falem inglês é certamente um dos pontos mais difíceis, pois pouquíssimos brasileiros conhecem bem o idioma.

 

Não falar inglês limita muito à suas carreiras. O candidato que fala inglês é mais caro e pode crescer mais rápido ou chegar à um ponto mais alto

 

Em uma conversa descontraída com este empreendedor, concluimos que um dos problemas no inglês dos brasileiros pode ser a falta de prática, a negligência para com os estudos regulares (“me formei ou não uso o idioma, não preciso fazer aulas”, por exemplo), a má pronúncia (o que não tem conexão alguma com o “sotaque”), os erros gramaticais mais comuns (vide artigo “Os erros mais comuns dos brasileiros ao falar inglês”), etc.

Com tanta experiência no assunto, Gamba consegue avaliar o nível de inglês de um candidato apenas olhando para o seu CV! E sabe que, se não todos os candidatos, a  maioria pelo menos não é 100% sincero no quesito “idioma”. Por isso, saber ler o que está escrito nas entrelinhas é essencial.
Também afirma que o mercado paga sim mais à quem fala o idioma!

 

Olhar um CV e ver ‘intercâmbio nos EUA’ ou ‘viveu fora por 6 meses’ e imaginar que o candidato fale bem o idioma, sem considerar que tal experiência pode ter ocorrido há 5 anos atrás (ou mais!) não é o suficiente. Um programa de intercâmbio não significa absolutamente nada: os alunos vão para estudar e conviver com outros brasileiros. Por isso, eu faço esse filtro para os meus clientes, já que uma das partes mais difíceis é garantir o nível de conhecimento de inglês do candidato. 

 

 

PRISCILA: Uma posição de gerência em uma empresa que recebe trata com muitos gringos está aberta. Um candidato à vaga fala inglês e espanhol e conhece 70% da operação. Outro candidato conhece 100% da operação, mas não fala línguas. Quem você contrataria?

GAMBA: Há que entender o contexto. Mas, no geral, contrataria o primeiro. É mais fácil este aprender os 30% que lhe falta na operação do que fazer o segundo aprender idiomas.

 

Pessoas raras são mais caras

 

PRISCILA: Contrataria alguém com muita experiência de mercado, estabilizada na carreira, sem inglês? Acredita que esta pessoa se daria “a chance” de aprender algo novo e “do zero”, do qual lhe tomaria não menos que 3 anos para aprimorar à esta altura?

GAMBA: Contesto meus clientes quando exigem o inglês como critério, porque acabamos perdendo muita gente boa no mercado. Então, a menos que a posição exija contato com o mercado internacional, sou flexível, pedindo conhecimento apenas em leitura, por exemplo. A maioria consegue “se virar” com o Google. Em tecnologia, dependendo da área, não existe um candidato sequer que fale inglês! Vagas técnicas são ainda mais difíceis!

Os clientes mais exigentes confirmam que às vezes a posição não exigirá que o candidato use o idioma no dia-a-dia, mas deixa de contratá-lo por não ver qualidade em seu CV, boa-vontade e disposição para com os estudos (não estudaram línguas, e se formaram em universidades de baixa qualidade, por exemplo). E os entendo, afinal, as pessoas que querem ser as melhores, estão sempre tentando aprender mais. Mas também temos que entender as exceções. Não é somente porque a pessoa é acomodada. Existe todo um contexto de vida. Às vezes faltou oportunidade….

 

Fulano está investindo para, em três anos, assumir a diretoria de toda a América Latina. Por que ainda não começou a aprender espanhol?

 

PRISCILA: Conheci uma diretora de empresa que tinha muitos contatos (trabalha em vendas), muita experiência, malícia. Estudou em ótimas universidades, fez intercâmbio. Vi no seu LinkedIn que colocou “inglês fluente”, quando na verdade era intermediário. Ao questioná-la, ela disse que é vergonhoso à esta altura diminuir o seu nível de inglês no CV e que não permitiria que uma empresa a deixasse de chamar por conta do idioma, já que a maioria não exige o contato real com o idioma no dia-a-dia. Como você vê isso?

GAMBA: Isso é mais comum do que se imagina. Sei que o brasileiro faz isso mesmo (um americano jamais o faria, por exemplo). Quando a posição exige o idioma, eu mesmo falo com o candidato. Se não passar no meu teste, simplesmente não o encaminho.

 

Para saber mais sobre Henrique Gamba: https://www.linkedin.com/in/henriquegamba

 

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14 de abril de 2018